Oriente Médio

Escala em Doha à noite/madrugada – Roteiro + FAQ

Uma parada estratégica em Doha na Madrugada

Quando soubemos que faríamos escala em Doha, no Qatar, em nossa viagem para a Tailândia, rapidamente procurei no Google pra saber do que se tratava. Confesso, não tinha ideia do que era. Porém, assim que vi as fotos dos prédios enormes, associei imediatamente a Dubai. “Oh, então é uma mini-Dubai?”. Então quero!

O problema é que a escala seria de madrugada. Chegaríamos às 22h e iríamos embora para Bangkok às 7h da manhã. 9h de escala. Se é tempo de sobra pra encomendar um filho, por que não seria pra visitar a cidade?  

A primeira pergunta que nos veio à mente foi: vale a pena sair do Aeroporto de madrugada para conhecer Doha? Resposta curta: sim! Vale muito!

Atualização em 2026: esta viagem aconteceu em janeiro de 2017 e muita coisa mudou em Doha desde então, especialmente depois da Copa do Mundo de 2022. Mantive abaixo o relato original da viagem, mas atualizei as informações práticas sobre imigração, transporte, tours de conexão, dinheiro, horários e atrações.

Procuramos na internet informações sobre o assunto e simplesmente não achei nadinha. Então elaborei uma espécie de FAQ, ou seja, perguntas frequentes, feitas insistentemente por nossos internautas inexistentes, para ajudar quem visita esse humilde blog.

Antes de mais nada, agradeço a todos que fizeram parte dessa viagem: Bruno, Kennia (e Miguel), Fabio, Erim (e João Pedro), Hugo e Polly.   Visitamos no dia 23 de Janeiro de 2017.

Índice

Este post tem o seguinte conteúdo:

Dicas de Viagem

Vale a pena visitar Doha, no Qatar, durante uma conexão ou escala na madrugada?

Sim, é muito lindo! Visite! O nível de ostentação da cidade é muito grande, chega a deixar tonto. E é legal ficar tonto. Não é só álcool que causa esse efeito.  

Do que precisa?

Para brasileiros, a situação hoje é bem mais simples do que em 2017. O Catar permite entrada sem visto prévio para turismo. Segundo o Ministério do Interior do Catar, brasileiros podem receber uma autorização de entrada gratuita por até 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias, desde que cumpram as condições de entrada.

O Ministério do Interior informa, entre as condições, passaporte válido e passagem de retorno ou continuação da viagem. Como os requisitos podem mudar e algumas páginas oficiais apresentam condições adicionais conforme a nacionalidade e o tipo de entrada, vale conferir pouco antes da viagem no verificador oficial de vistos do Visit Qatar e no Ministério do Interior do Catar.

Quando visitamos, em janeiro de 2017, ainda era necessário providenciar visto. Hoje o processo para brasileiros é muito mais simples.

Que dinheiro eu levo?

A moeda oficial é o rial catariano (QAR). Cartões internacionais são amplamente aceitos em hotéis, restaurantes, atrações e boa parte dos táxis e estabelecimentos. Para uma conexão curta, eu priorizaria cartão internacional e levaria apenas uma pequena quantidade de riais se quisesse ter dinheiro em espécie. Não contaria hoje com dólares americanos sendo aceitos diretamente em todo lugar, como fizemos em 2017.

E como fazer para se locomover de madrugada?

Em 2017, assim que saímos da área de desembarque, encontramos um serviço de tour em carro que cobrava por hora. Não use mais aquele preço de US$ 25 por carro/hora como referência, porque era o valor praticado na época da nossa viagem.

Hoje existe uma alternativa muito mais organizada para quem está apenas em conexão: o Discover Qatar, que oferece tours oficiais saindo do Aeroporto Internacional de Hamad. Há passeio de aproximadamente 3 horas por Doha, opções noturnas e até passeio ao deserto. Em 2026, os tours urbanos partem de aproximadamente QAR 115 por pessoa, e algumas opções noturnas privadas partem de aproximadamente QAR 140. Os valores e horários mudam, então confira antes da viagem.

Para vários desses passeios, o tempo mínimo de conexão exigido é de cerca de 6 horas. Para o deserto, normalmente é necessário mais tempo.

E táxi ou Uber, rola? 

Hoje é bem mais fácil. Uber funciona normalmente em Doha e é amplamente utilizado. Também existem os táxis oficiais Karwa. Você não precisa necessariamente comprar um chip catariano: roaming internacional, eSIM ou conexão à internet disponível durante a viagem já resolvem o acesso ao aplicativo.

Outra grande mudança desde nossa visita é o Doha Metro. A Linha Vermelha atende o aeroporto e permite chegar a várias regiões da cidade gastando pouco. Só tenha atenção aos horários: o metrô não funciona 24 horas, portanto numa conexão no meio da madrugada táxi, Uber ou tour contratado continuam sendo as opções mais práticas.

As coisas ficam abertas? Dá pra conhecer bem os lugares?

Na madrugada, a experiência continua sendo principalmente externa. Muitos museus e atrações fecham à noite, mas a Corniche, o skyline, áreas do Souq Waqif, Katara e The Pearl continuam interessantes para um passeio e para fotos. Restaurantes e cafés podem funcionar até mais tarde, especialmente nas zonas turísticas, mas os horários variam bastante conforme o dia da semana, a época do ano e o Ramadã.

Ou seja: não presuma que uma atração estará aberta só porque a área ao redor está acessível. Para uma conexão noturna, vale conferir o horário oficial de cada lugar no dia da viagem.

É seguro? 

Nossa experiência foi extremamente tranquila e Doha continua sendo considerada uma cidade muito segura para turistas. Ainda assim, eu evitaria a palavra “absolutamente”: use os mesmos cuidados básicos de qualquer viagem e, principalmente, respeite as leis e costumes locais, que podem ser mais rígidos do que no Brasil.

Mulheres precisam usar burca? 

Não. Turistas não precisam usar hijab, ou burca e nem abaya. O recomendado é apenas vestir-se de maneira respeitosa e relativamente discreta, sobretudo em museus, souqs, mesquitas e áreas tradicionais. Para visitantes estrangeiros, a orientação prática é cobrir ombros, barriga e joelhos. Em locais religiosos podem existir exigências adicionais.

Qual é a temperatura? Frio ou calor? 

Fomos no inverno. Pelo menos na madrugada, reina o frio com um vento cabuloso. A sensação térmica é muito baixa. Lembrem-se, é deserto, e como tal a variação térmica é alta. Vá com roupa de frio. Se puder usar luvas, melhor ainda, foi no que eu mais sofri, minhas mãos queimaram de frio.  

Não tenho tanto tempo de escala. Posso sair mesmo assim?

Tem que tomar cuidado. Hoje eu usaria como referência as próprias regras dos tours de conexão do Discover Qatar: os passeios urbanos de 3 horas normalmente exigem uma conexão de pelo menos 6 horas. Isso dá uma boa ideia do tempo necessário para imigração, deslocamento, passeio e retorno ao aeroporto.

Se sua conexão for menor que isso, eu ficaria no aeroporto. E, mesmo com mais de 6 horas, considere possíveis filas na imigração, o horário de embarque e a necessidade de estar novamente no terminal com antecedência.

Dá pra visitar o deserto?

Sim. Hoje há inclusive tour oficial de trânsito para o deserto e o Inland Sea (Khor Al Adaid) vendido pelo Discover Qatar. A opção costuma durar cerca de 4 horas e exige conexão mínima de aproximadamente 8 horas. Nós não fizemos esse passeio em 2017.

Pois bem, vamos ao roteiro.

Roteiro de Conexão em Doha

A Imigração

Assim que saímos do avião, caminhamos até a imigração, que foi bem tranquilinha. Bastou mostrar o passaporte. O visto eles não pediram, provavelmente já tinham no sistema, mas sempre leve impresso. Aliás, não pediram nada, não perguntaram nada, desconfiamos que as pessoas que trabalham na imigração do Qatar sejam mudas, pois nem um som fizeram.  

Saímos da área de embarque e vimos um balcão, achamos que seria de informações, porém já eram os caras responsáveis pelo tour. Dissemos o tempo que tínhamos, que era bastante, e eles disseram que dava pra fazer um tour de 3h e, se quiséssemos mais, era só estender e pagar.

Nessas horas que eu digo que dinheiro pode até não trazer felicidade diretamente, mas pelo menos paga os passeios da trip. Se estiver descontente, pode me enviar um pouco que gastarei quando estiver em Dubai, e ainda cagarei ouro.  

Então rapidamente ajeitamos tudo e em 15 minutos os dois carros chegaram (éramos 8).  

A rua em direção à cidade possuía nos dois lados pilares coloridos e iluminados do início ao fim. Nelas estavam as escrituras sagradas do alcorão. Incrível isso, o poder da religião naquele lugar de tamanha riqueza. Não me incomodei com a instantânea percepção de riqueza daquele lugar, porque também eu, veja só, sou rico. Aliás, tenho alergia de pobre. Não sei por que vivo sempre com alergia, mesmo que eu esteja em um quarto sozinho. Estranho, não? Cacete, vamos ser sinceros. Eu me senti pobre pra caramba!

Museum of Islamic Art

Primeiro paramos no Museu de Arte Islâmica. Estava fechado, mas, como disse, todo iluminado, e com a parte externa toda acessível. É muito lindo e rendeu boas fotos. Sem contar que é um lugar com uma ótima visão dos prédios enormes, coloridos e iluminados de Doha.

O Museu de Arte Islâmica foi construído em uma ilha perto de uma península artificial. Seu edifício principal possui cinco andares, e há, no complexo, um parque, oficinas e uma biblioteca de artes islâmicas em inglês e em árabe, além de salas de estudo.

Infelizmente, não é possível visitar suas instalações durante a madrugada! Mas vale a pena ver do lado de fora, pois é um prédio que mistura a arte islâmica antiga com padrões geométricos modernos.

Saí com uma jaquetinha super me achando, porém não durei 30 segundos do lado de fora do carro sem que eu voltasse e pegasse uma blusa de frio. Doha fica no meio de um deserto, então, durante a noite, e ainda mais no inverno, como era o caso, o frio foi de, sério, fazer eu pensar que não teria mais minhas mãos. Pareço um reclamão, mas adoro isso.

Dica 1: assim que saímos do carro, o frio foi intenso. Todo mundo de casaco. Não se esqueça do seu.

Souq Waquif

Essa foi uma rua toda ao estilo antigo árabe. Quer dizer, ela é antiga, de fato, não é só o estilo. Bem turística mesmo. A arquitetura tradicional está toda presente lá. Confesso que me senti em um filme.

A Souq Waquif, em árabe, significa “o mercado permanente”. Vende-se lá roupas tradicionais, iguarias, artesanato e lembranças. Origina-se há mais de 100 anos, e foi reformada em 2006, preservando o seu estilo arquitetônico original.

De madrugada, suas ruas labirínticas de formato geométrico são bem tranquilas e iluminadas, porém as lojas não estão abertas. Surpreendentemente, todavia, alguns restaurantes estão em plena operação, de modo que você pode parar e pedir algum prato típico.

Decidimos comer no restaurante La Boca uns Mankouches, uma espécie de pizza árabe. Estávamos roxos de fome. Achamos que fosse ser rápido, mas demorou. Não era grande problema porque, como disse, poderíamos ficar mais tempo e o tour seria estendido, os motoristas ficariam nos esperando. Além do mais, estávamos aproveitando o clima árabe proporcionado pelo ambiente exótico até o momento inédito para todos nós do grupo.

Dica 2: Os Mankouches são enormes, não precisa pedir muito.

Orla de Doha

Paramos em um ponto da orla em que era possível ter uma visão diferente dos prédios coloridos. A orla é cheia dos coqueirinhos e em sua grande extensão possui calçadas para as pessoas andarem tranquilas. É muito agradável.

Prédios de Doha

Dessa vez, fomos para bem pertinho dos prédios. O motorista foi até muito legal e usou o farol do carro como se fosse um flash para que pudéssemos tirar fotos. Arrisco dizer que foi tão inteligente que nem consigo usar a expressão “quem não tem cão caça com gato”. Acho mais justo dizer que ele caçou com um elefante. Que ideia boa!  

Em direção ao próximo ponto, passamos de carro em uma das ilhas artificiais, que você pode observar nessas fotos tiradas do avião logo acima. Não dá pra perceber que você está em uma ilha artificial.

Belos prédios: Os prédios acima são Tornado Tower (à esquerda) e Burj Doha (à direita), que são o décimo e o sexto dentre os edifícios mais altos de Doha, respectivamente. Foram os que nos chamaram mais a atenção, devido aos seus estilos diferenciados com relação aos restantes, muito embora não fossem os mais altos!

Gente, super graça quando observamos um morro em um determinado ponto. O motorista nos disse que era artificial. Nível de ostentação: “ah, a gente não tem morro… e isso é meio feio. Que tal a gente não fazer um só para a gente? OUR PRECIOUS!”

O motorista também nos mostrou algumas obras da Copa do Mundo de 2022. Naquele momento, em 2017, o torneio ainda estava cinco anos no futuro e Doha era um enorme canteiro de obras.

Atualização: a Copa do Mundo do Catar aconteceu entre 20 de novembro e 18 de dezembro de 2022. Boa parte daquela infraestrutura que vimos em construção já faz hoje parte da cidade, incluindo novas áreas urbanas, metrô e equipamentos ligados ao torneio.

Katara Cultural Village

Como se a gente já não tivesse visto coisa bonita o suficiente, ele disse que nos levaria a um Anfiteatro no Katara Cultural Village. Confesso que não levei muito a sério, mas quando chegamos lá foi assustador. Era um anfiteatro inteiro feito de mármore. Como podem ver pelas fotos, e não sei se percebem isso tanto quanto ao olho nu, mas é muito absurdo.

Katara é uma forma histórica do nome associado ao Catar e acabou batizando o complexo cultural. O Katara Cultural Village foi inaugurado em 2010 e reúne anfiteatro, galerias, espaços de apresentação, restaurantes e praia.

Correção importante: o Doha Tribeca Film Festival não acontece mais anualmente. O festival teve quatro edições, de 2009 a 2012. Portanto, aquela informação da versão antiga deste post estava desatualizada.

Quando visitamos, conseguimos circular pelo complexo durante a madrugada. Não considero mais seguro afirmar que o anfiteatro ou todos os espaços internos fiquem abertos 24 horas, porque o acesso pode variar conforme eventos, manutenção e regras locais. A área externa de Katara continua sendo um ponto interessante, mas confirme os horários oficiais se quiser entrar em uma atração específica.

E foi ali que ouvimos pela primeira vez, bem cedo, o adhan, o chamado islâmico para a oração. No Islã, as orações acontecem cinco vezes ao dia e os horários variam conforme a posição do sol. A oração da alvorada, chamada Fajr, acontece antes do nascer do sol, por isso é perfeitamente normal ouvir o chamado ainda de madrugada. Foi uma experiência cultural marcante e totalmente nova para nós naquele momento.

Ah, e a Katara Cultural Village como um todo é uma graça.

The Pearl

Por fim, passamos pela região de The Pearl-Qatar. Uma correção em relação ao texto original: The Pearl não é um shopping, mas uma grande ilha artificial com áreas residenciais, hotéis, marinas, restaurantes, cafés e lojas. Provavelmente a “galeria” fechada que vimos naquela madrugada era apenas uma das áreas comerciais do complexo.

Finalizando

Por fim, voltamos para o aeroporto. Na nossa viagem de 2017, pagamos os motoristas em dólares e passamos cerca de 4 horas rodando por Doha. Foi ótimo e recomendo a experiência para quem tiver uma conexão suficientemente longa.

Hoje eu faria de maneira um pouco diferente: reservaria antecipadamente um tour oficial de trânsito ou usaria Uber/Karwa, deixando uma margem confortável para voltar ao Aeroporto Internacional de Hamad. Se o metrô estiver funcionando no horário da sua escala, ele também pode ser uma alternativa econômica para parte do roteiro.

Resumo atualizado para 2026: para brasileiros, sair do aeroporto durante uma conexão longa em Doha continua sendo perfeitamente viável. Com cerca de 6 horas ou mais já existem tours oficiais de conexão; Uber e táxis Karwa são fáceis de usar; o metrô conecta o aeroporto à cidade, mas não roda 24 horas; e as exigências de entrada devem sempre ser verificadas nos sites oficiais antes da viagem.

Dica: Para mais informações sobre Doha, visite tanto o Instagram quanto o Facebook da guia de turismo Leila Dienne Martinez. Mora em Doha há 5 anos, então com certeza muita bagagem sobre o país árabe tão pouco conhecido.

Escrito por Igor Augusto

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3 comentários

  1. Viajei com vocês ! Conheci maravilhosos lugares ! Transportei- me mentalmente para esses lugares fabulosos ! Obrigada ! Que venham mais viagens, e que eu esteja viva para viajar com vocês ! Abraços !

  2. Amei!!!!!

    Mês que vem tenho uma escala em Doha (exatamente pela madrugada) e estava procurando o que fazer (além de ficar no Lounge da Qatar rsrs).

    Não conhecia seu blog: o conheci agora e já ganharam um fã.

    Muito obrigado pelas dicas.

    André Felipe

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